parte 3
NOÇÕES ASTROLÓGICAS
parte 3
NOÇÕES ASTROLÓGICAS
Astrologia e cosmovisão
Por tudo isso que foi exposto, vemos que a astrologia - a ciência da natureza cósmica por excelência - representava o coroamento de um conhecimento integrado. Foi, por isso mesmo, chamada também de mathesis universalis, representando a medida estruturante de todas as coisas e de todos os conhecimentos, o sistema de padrões e critérios em que se estruturava:
de
um lado, a percepção que
cada indivíduo tinha do cosmos;
e,
de outro, o cosmos propriamente dito
em toda a sua diversidade.
Somos então forçados - pela tradição - a pelo menos supor que o céu de nascimento de um indivíduo parece demarcar uma certa "percepção natural" com que o ser humano capta e observa tudo que o cerca. Afinal, é a estrutura deste céu que está desenhado e prefigurado num mapa astrológico, demarcando, para cada nascimento, quais as perspectivas e relações que se abrem entre o sujeito nascido e o mundo em torno, formando o campo de visão muito particular de cada um. O mapa natal de um indivíduo seria, assim, um espécie de mapeamento das perspectivas com que ele se nortearia ao longo da sua vida; perspectivas, estas, que se abrem para compreender tudo o que o cerca e que formam a sua visão particular do mundo, isto é, a sua cosmovisão. Dentro deste contexto, um mapa astrológico só poderia ser visto como um mapeamento cognitivo do sujeito, ou seja, daquilo que ele preferentemente presta ou não presta atenção, e isto quando as circunstâncias não exercem pressões que o obrigam a atentar para outras coisas - o que, de fato, quase nunca ocorre.
O mapa astrológico seria também um instrumento com o qual se poderia reconhecer as coordenadas de ação que o indivíduo procura tomar ao longo de toda sua vida visto que, se descobrimos quais são as perspectivas que particularmente ele nutre e vislumbra sobre tudo que o cerca, descobriríamos também que ele tentaria traçar o seu caminho da maneira que estas perspectivas lhe indicaram, construindo então o seu destino de um modo e não de outro, ou melhor: conforme a sua própria consciência lhe disse.
Mas... que perspectivas fundamentais são estas que os seres humanos podem ter da vida? Quais são os princípios gerais com que cada indivíduo, a sua maneira, vê o mundo e procura se orientar? Se lembrarmos que princípio é "uma relação fundamental apreendida pelo pensamento", poderíamos dizer que todo e qualquer indivíduo teria uma mentalidade diferenciada que lhe capacitaria apreender o mundo fenomênico sob os seguintes princípios:
Estes seriam, a grosso modo (25), os princípios e os valores cardinais com que o indivíduo se orientaria ao longo da sua vida, tal como uma bússola existencial. É como se o simbolismo natural celeste personificasse e traduzisse certos princípios capazes de resumir toda a dimensão da experiência humana. Afinal, se até mesmo para a Dramaturgia Clássica toda diversidade de enredos pode ser resumida em 3 ou 5 conflitos básicos, porque é que não pode haver um outro sistema ou um outro "código dos conflitos humanos" que resuma a vida em 12 experiências fundamentais?
O sistema astrológico seria justamente isso: um sistema de princípios que resumiria a variedade das experiências humanas.