parte 3

NOÇÕES ASTROLÓGICAS

parte 3

NOÇÕES ASTROLÓGICAS

Astrologia e destino

Parece que o esquema que está esboçado num mapa astrológico representa um modelo, uma figura pessoal que expressaria ao máximo um certo grupo de possibilidades superiores humanas que pode ou não ser realizada, visto que não há nada neste modelo que possa garantir tal realização. Desse modo, o homem de sucesso seria aquele que personalizaria o seu destino, enquanto o homem comum seria aquele cujo destino o despersonalizaria, exercendo sobre ele tamanhas influências que acabaria levando a vida de uma forma que não lhe é adequada. Afinal, a força dos acontecimentos pode ser muito mais forte do que sua vontade pessoal.

Por isso é que o mapa astrológico não é - e não pode ser - a expressão literal de um destino humano. Isso só acontece em casos muito privilegiados, em que o indivíduo:

se torna o autor dos acontecimentos, pela força da sua vontade;

é auxiliado pelas circunstâncias momentâneas e históricas;

é auxiliado pela sorte.

Desse modo, entre aquilo que é ditado pela própria natureza e as circunstâncias pode se estabelecer tanto uma zona de atrito como de harmonia, sendo que talvez a má ou boa adaptação dependa também de caraterísticas que já estejam ditadas na própria natureza. Deve-se, portanto, encontrar um encaixe entre as circunstâncias externas e a forma individual interna; deve-se encontrar uma resolução dialética entre o que se é e as circunstâncias, sendo um destino a resultante de ambos fatores. Afinal, a defasagem que se dá entre o que é imposto pela própria natureza e o que é imposto pela circunstância se torna a raiz do sofrimento humano.

Por isso que o mapa astrológico não é e não pode ser a expressão literal de um destino humano. Afinal, este é composto não só pela forma individual - que está expressa no horóscopo - mas, também, pelas circunstâncias, que são imprevisíveis e variáveis e que, por isso mesmo, não podem ser deduzidas de uma mapa astrológico. Aliás, a idéia de que o mapa astrológico seja a tradução literal de um destino suprime simplesmente a noção de acidentalidade - que, no entanto, existe. O mapa astrológico não pode ser, portanto, a causa de tudo o que acontece ao indivíduo.

O mapa astrocaracterológico pode ser comparado, então, à planta arquitetônica de uma casa: temos a sua estrutura - a parte formal - mas não temos ainda a matéria de que ela será feita, de modo que esta estrutura pode corresponder tanto a uma simples maquete de papel quanto a uma casa de verdade. A matéria de que tal casa será feita - a parte material - depende de inúmeros outros fatores que não estão necessariamente prescritos na planta, sendo estes incalculáveis e imprevistos, e que surgem no transcurso da vida.