parte 4

UMA POSSÍVEL ASTROLOGIA PARA A MODERNIDADE

parte 4

UMA POSSÍVEL ASTROLOGIA PARA A MODERNIDADE

A astrologia, as ciências e o debate astrológico

Essas são - de acordo com o nosso entendimento - premissas básicas para elevar a qualidade do debate e da investigação do fenômeno astrológico. Aliás, todo o debate em torno do tema astrológico tem sido extremamente retórico e partidário, onde:

de um lado se coloca o astrólogo como um guru que, por deter um conhecimento que se diz "secreto", acaba alegando que não há como explicá-lo, deixando a astrologia sem qualquer estudo e sem qualquer fundamentação rigorosa - o que justamente a torna indigna de respeito;

de outro lado se coloca o "homem de saber"que, mesmo sem ter estudado o suficiente qualquer referência sobre o assunto se dá o direito de julgá-lo, evitando ao mesmo tempo se envolver com a questão para não manchar a própria reputação intelectual, deixando então a astrologia num completo abandono quando, curiosamente, é o mais apto a estudá-lo.

Por isso, enquanto não sairmos do debate astrológico que ainda se mantém no nível da argumentação retórica e não empreendermos uma discussão lógica e analítica, tentando equacionar o problema, jamais daremos um passo com relação ao que se concebe como o "conhecimento da astrologia". Ademais, toda forma de conhecimento teve a sua fase simbólica e se sistematizou depois: é o que ocorrerá, um dia, com a astrologia, demarcando então um importante avanço dentro do quadro dos conhecimentos humanos atuais pois acabará revelando os laços complexos que sempre pareceram existir entre as ditas ciências naturais e humanas - o que, para as Ciências Tradicionais, já era óbvio.

Hoje em dia, inclusive, tenta-se descobrir esses laços, e tal tentativa constitui-se no que há de mais inovador no mundo acadêmico: a transdisciplinariedade. Ela não só propõe um diálogo entre todas as disciplinas com a intuito de compreender mais profundamente o que seja o Homem mas também admite que, quando uma questão não pode ser respondida e esgotada pelo conhecimento acumulado de uma disciplina, outra deverá intervir com este propósito – o que, mal ou bem, demonstraria o limite de cada disciplina, e as possíveis relações entre elas. Ou seja: aquilo que a academia atualmente propõe como necessário para o conhecimento do ser humano é inerente à disciplina astrológica - e isto porque a astrologia participava do primeiro conjunto de conhecimentos interdisciplinares de que se tem conhecimento na história da humanidade.

Ademais, tanto a natureza quanto o ser humano sempre foram objetos e campos de profundo interesse e atenção, dos quais inclusive já se extraiu algum conhecimento, havendo, entretanto, um único conhecimento que ainda não foi levantado com a sua devida importância - aquele conhecimento que fala exatamente da relação do homem com o mundo e do mundo com o homem, levando isto a seus últimos termos e às suas últimas conseqüências que, de uma maneira muito grosseira, foi e é a tentativa da história e da sociologia e, muito mais recentemente, da ecologia. Num futuro talvez não muito distante, quem sabe tal tentativa chegue e alcance o limite do astronômico. Quando isto acontecer, estaremos inevitavelmente retomando o raciocínio astrológico.

Por isso é de se acreditar que, quando o Homem se perguntar seriamente sobre o seu lugar no universo e sobre o sentido da sua vida, talvez pare de mirar o céu de forma meramente poética e passe a levantar sérias questões que, para sua surpresa, já foram elaboradas em tempos remotos - mas que nunca tiveram continuidade e o seu devido respeito. E estas questões, queiramos ou não, serão de natureza astrológica.