EDIL CARVALHO
edil.carvalho@uol.com.br
RÉPLICA A UM PSIQUIATRA CRISTÃO
ASTROGÊNESE, NOVA TEORIA PSI
Uriel Heckert, na Revista INSIGHT PSICOTERAPIA, julho de 1997
O autor tece considerações sobre a influência que a astrologia vem tendo no campo das ciências psi, mostra sua base religiosa e aponta os riscos que lhe são inerentes.
introdução
Recentemente, eu estava na ante-sala do Diretor do Instituto de PsiquiJR. Fora rever a minha casa, onde fiz a Residência em Psiquiatria. Ali sempre respira-se as novidades do campo psi, mas confesso que não esperava tanto. A conversa que ouvi transcorria, na verdade, entre os alunos. Todos, porém, já graduados, cursando o Mestrado. Falavam animadamente sobre datas de nascimento, conjunção de astros, signos mais influentes; e daí tinham “insights” reveladores sobre o comportamento próprio e de outras pessoas. Também tiravam conclusões afirmativas sobre questões de relacionamento e possibilidades de interação. Todos pareciam dominar a teoria em questão e indicavam a sua aplicação prática sem restrições. Pareceu-me até que disputavam conhecimentos mais requintados e afirmações mais categóricas.
Custou um pouco de tempo até que me situasse. Eu tenho gravadas as disputas acirradas que ali assisti entre os defensores da psiquiatria clássica, comandados pelo Prof. J. Lemes Lopes, e os seguidores da Psicanálise, entre eles E. Portella Nunes, Wilson de Lyra Chebabi e outros. Acompanhei também os arroubos das teorias de inspiração sociológica que impulsionaram as comunidades terapêuticas, as intervenções sociopolíticas e a reforma psiquiátrica. Sei até que as radicalizações tem imperado, infundindo esse costume mambembe de adjetivar a Psiquiatria, chamando-a biológica, dinâmica, democrática, etc. Mas, naquele momento, constatei que estava diante de uma nova teoria: a que procura dar conta do entendimento da vida psíquica a partir da influência dos astros.
astrogênese
Parece incrível que seja assim. Rememorei os tempos do rádio, quando eram difundidos aqueles programas cheios de melodramas, com um locutor de voz grave garantindo que “os astros dirigem o seu destino!” Isso era também assunto do Almanaque Capivarol (quem lembra?), em que mostravam-se estudos “científicos” sobre o que ocorreria com as pessoas, conforme o seu signo no zodíaco. Agora vemos tudo isso ocupar a preocupação de mentes presumivelmente esclarecidas, penetrar consultórios, influenciar decisões clínicas! O que é que se passa?
É sabido que vivemos um tempo cheio de paradoxos. Caso pudéssemos acompanhar aqueles pós-graduandos a uma sessão clínica e os ouvíssemos falar sobre seus pacientes, observaríamos um conteúdo diferente. Com toda certeza, numa situação formal eles recorrem às teorias tradicionais, são capazes de citar os autores consagrados e indicam terapêuticas reconhecidas e testadas.
Nada impede, porém, que esse conhecimento científico esteja ao lado de convicções variadas, por mais extravagantes que elas sejam. Aliás, parece até que quanto mais esdrúxulas, mais exercem fascínio. Na verdade, o melhor seria dizer que estamos diante de uma crença.Simplesmente acredita-se que os astros exercem influência sobre a vida das pessoas. Ou pelo menos não se vê motivo para que assim não ocorra. O nascimento é tomado como momento decisivo. Parece que a força astral não penetra a barreira do líquido amniótico, pois não se consideram os nove meses de vida intra-uterina.
Constrói-se, então, uma Caracterologia composta por doze tipos de personalidade, segundo o signo correspondente e o astro dominante apontados pela data de aniversário. Pode-se verificar nuanças, pois toda a teoria da personalidade que se preze deve apresentar-se como “dinâmica”; mas sempre obedecendo à “ascendência” deste ou daquele elemento no mapa astral da pessoa em questão. É difícil esconder o reducionismo aí expresso. Para aqueles que não se conformam com a hegemonia do pensamento biologicista, com ênfase crescente no determinismo genético, está aí outro ainda mais poderoso, totalmente fora de qualquer alcance humano, pois que ditado pelas forças cósmicas. A influência das relações objetais, todo o impacto do processo educativo, a possibilidade da própria psicoterapia, como é que ficam?
a origem religiosa
Deve-se lembrar que essa forma de crença nada tem de nova. Ela corresponde às mais primitivas que a Humanidade conheceu. Sabe-se que as religiões egípcia e babilônica eram impregnadas dessa teoria astrológica, que se difundia facilmente como toda proposta simplista. Contra ela sempre insurgiu-se o pensamento monoteísta, reivindicando que se considere o Deus que criou os astros e não esses componentes do Universo. Na verdade, a linguagem bíblica sempre aponta o cosmos como expressão da grandeza do criador, como que a prestar-lhe culto e obediência. Todos conhecem o belo Salmo 19: “os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das tuas mãos”.
Na tradição judaico-cristã, a mais evoluída que se conhece, em nenhum momento encontramos qualquer estímulo à reverência humana diante das forças do Universo. Ela é reservada unicamente ao Deus de tudo que existe. O profeta Isaías, que conviveu com a cultura da Caldéia, até ironiza a prática difundida entre os “terapeutas” da época: “já estás cansada com a multidão das tuas consultas. Levantem-se os que dissecam os céus e fitam os astros (...) que te predizem o que há de vir sobre ti (Isaías, 47:13)”. Como alternativa ao “culto da milícia celestial (Atos, 7:42)” o profeta Amós, por seu turno, enfatiza: “procurai o que fez o Sete-estrelo e o Órion (...) O Senhor é o seu nome (Amós, 5:8)”.
Vê-se, portanto, uma preocupação constante em chamar o povo das formas primárias de crença, submissas às forças da natureza, para a fé esclarecida no Deus pessoal. Como diz M. T. Fermer: “uma constante tentação consistia em adorar estrelas personalizadas em divindades; porém, as estrelas são insignificantes quando comparadas com o próprio Javé (in O Novo Dicionário da Bíblia, de J. D. Douglas)”. Ao que parece, o equívoco continua presente em nossos dias.
conclusão
Em termos de evolução cultural, portanto, a astrologia representa uma regressão tosca aos primórdios da civilização. No que tange à maturidade psíquica, por outro lado, corresponde a uma das mais primitivas formas de alienação. Por isso mesmo, a sua difusão e prática não pode ser considerada inconseqüente. O seu ressurgimento alinha-se às muitas irracionalidades que caracterizam a tão falada pós-modernidade, mas traz implicações para os que a cultivam. Mesmo aqueles que dizem apenas “brincar de acreditar” devem considerar a banalização do trabalho psicológico que está embutida nesse conteúdo.
É certo que não podemos desconhecer a importância da várias formas de energia. Esse argumento é sempre lembrado. Os astros, afinal, têm força gravitacional, evidente no fenômeno das marés. Contudo, será que a energia que nos chega de uma constelação situada a bilhões de anos-luz é assim tão decisiva? Ao raciocinarmos dessa maneira, deveríamos começar investigando fenômenos mais próximos. É possível, por exemplo, que o campo eletromagnético formado pelo transformador de eletricidade, pendurado em frente a nossa casa, tenha maior impacto sobre o organismo humano. Mas já estaremos indo longe das nossas ciências psi, vocês não acham?
ASTROCARACTEROLOGIA,
UMA PROPOSTA CRÍTICA E REFLEXIVA SOBRE
O FENÔMENO ASTROLÓGICO
Edil Carvalho
O autor tece considerações sobre o preconceito que a astrologia vem sofrendo tanto da parte acadêmica e científica quanto religiosa, demonstrando que o debate em torno deste tema não está sendo conduzido intelectualmente de maneira honesta e responsável.
a astrologia e o preconceito existente
Sempre supus que o motivo fundamental
pelo qual o ser humano se lança no desconhecido
e procura desvendá-lo fosse a necessidade
inalienável do seu espírito pela verdade
ou por um pouco mais de luz - e espero
que não esteja errado. Afinal, a única
coisa que parece sossegar a mente humana
é alcançar uma clareza sobre os fatos
e os fenômenos que a cercam – uma clareza,
se não absoluta, pelo menos razoável.
Mas alcançar clareza e certeza sobre as
coisas não é nada fácil: elas são elaboradas
às custas de muitas dúvidas, e estas,
nem sempre, são enfrentadas com paciência
e rigor. Aliás, muitos homens que se consideram
“homens do saber” não enfrentam as dúvidas
com honestidade intelectual e, diante
da sua enorme impotência mental perante
o desconhecido, formulam uma certeza às
pressas, completamente arbitrária, acreditando
que assim chegaram a única conclusão a
que se poderia chegar.
Na realidade, estes “homens do saber”
freqüentemente se esquivam da causa pela
qual dizem trabalhar e, deixando de enfrentar
as enormes incertezas e contínuas críticas
e revisões que a tarefa intelectual exige,
acabam construindo teses e teorias em
que jamais há a marca da autêntica universalidade:
daquela universalidade contemplativa,
onde se vislumbra de uma só vez a coerência,
a harmonia, a integridade e a visão de
conjunto. Aliás, sem este nível de universalidade
que eleva nossa inteligência acima das
incertezas, continuamos imersos nos fatos
variados e múltiplos que ofuscam nossa
capacidade de interpretação e nos levam
a elaborar teorias vazias, fragmentadas,
individualizadas, isto é, maculadas pela
visão e pela opinião pessoal. Deveríamos
inclusive nos lembrar das advertências
de Max Weber [1], ao dizer que “se o cientista
topa com fatos que não pode explicar com
os meios atuais da investigação científica,
não lhe cabe negá-los em nome seja do
que for, ou ignorá-los, ou relegá-los
à esfera da superstição”.
Por isso, antes de levarmos em consideração
as objeções que geralmente são feitas
com relação à astrologia - ou contra qualquer
assunto - seria interessante consultarmos
o que os verdadeiros homens do saber disseram
a respeito disso; homens que, certamente,
consideravam a dúvida como o esforço muscular
da inteligência e que são respeitados
pela envergadura intelectual das obras
que criaram, e que, por isso mesmo se
tornaram uma espécie de referência dentro
do quadro de conhecimentos humanos e da
história da cultura. As suas observações
e os seus discernimentos jamais deveriam
ser considerados levianamente.
a astrologia e os conhecimentos existentes
O tema astrológico nunca passou ao largo
do corpo de conhecimentos e dos interesses
humanos como parece. Afinal, o entendimento
de si mesmo bem como do que existe em
torno sempre foi - e continua sendo -
a mola que impulsiona a inteligência dos
homens. Não é à-toa, pois, que este tema
apareça equacionado de diversas maneiras
em discussões que, aparentemente, não
tem nada de astrológico.
É o que percebemos nas discussões que
Aristóteles [2] empreendeu ao tentar discernir
aquilo que chamava de causa formal
e causa material, apontando as
diferenças que se dão entre a essência
de uma coisa e a existência desta
mesma coisa - primeiro obstáculo que se
impõe a qualquer indivíduo que queira
ter um entendimento sobre a essência das
coisas ou sobre a imensa variedade com
que elas se apresentam e se manifestam.
Tal discussão foi retomada, de certa maneira,
por Max Horkheimer [3] ao admitir que
a realidade objetiva tem uma ordem e que
a ordem do nosso pensar - as leis da lógica
- traduzem e simulam a ordem desta realidade;
ordem, esta, que o físico Werner Heisenberg
[4] percebeu por própria experiência e
que Edmund Husserl [5] fez questão de
frisar - obrigando-nos, de certa maneira,
a reconsiderarmos a idéia que o ser humano
tinha sobre uma “força” estruturante
que dava unidade e integridade a todas
as coisas existentes, permitindo inclusive
que elas pudessem ser reconhecidas.
Aliás, é esta mesma idéia que permanece
ao longo da obra de Duns Scot ao afirmar
que há algo de absoluto e universal presente
em cada indivíduo e que a universalidade
não é uma característica somente das espécies
e dos gêneros – corroborando, assim, a
idéia cristã da imortalidade da alma.
Tal idéia aparece, espantosamente, na
obra tanto de um precursor da psicologia
moderna quanto da caracterologia (Gordon
Allport [6] e Ludwig Klages [7], respectivamente),
onde se afirma haver na psique uma
força estruturante que caracteriza e distingue
cada pessoa, sendo esta “força” ora
chamada de “próprium” e ora de “caráter”,
sendo este último definido como “uma estrutura
psico-fisiológica ao mesmo tempo organizadora
e relacional que coloca o indivíduo, de
maneira original, em relação constante
e dinâmica com o dado existencial [8]”.
Não seriam, pois, suficientes as observações
que estes homens do saber levantaram para
esclarecer que há algo de muito mais sutil
e complexo na noção ingênua que ainda
nutrimos sobre a essência humana bem como
da relação do homem com o cosmos - ou
serei obrigado a falar literalmente sobre
a astrologia, correndo o risco de me repetir
ao mencionar que ela, a astrologia, era
a disciplina que coroava o sistema de
conhecimentos da Idade Média (as Artes
Liberais) e que toda a evidência científica
que se pode ter a seu respeito foi obtida
ao longo de 37 anos pelo pesquisador Michel
Gauquelin [9]? Ou devo acrescentar - para
aqueles que tem apetite por datas e fatos
históricos - que em pleno século XIII
o santo Alberto Magno fez um estudo sobre
o funcionamento da alma humana (chamado
de faculdades cognitivas[10]) que,
surpreendentemente, tem uma analogia explícita
com os planetas astrológicos, tal como
o filósofo árabe Mohieddin Ibn’ Arabi
[11] demonstrou? Ou serei obrigado a levantar
o nome de Deus em vão e, numa tentativa
desesperada, lançar mão de alguns trechos
bíblicos com o intuito de dar autoridade
ao que pretendo comunicar, me esquecendo
de que “definitivamente, a linguagem bíblica
não serve para este fim, e que se deve
desistir de utilizar determinadas passagens
do texto sagrado em sua própria defesa
ou para combater o adversário. Afinal,
se não nos ocuparmos de forma serena com
as questões objetivas de que trata a astrologia,
também nós cristãos não formaremos nenhum
juízo fundamentado [12]”.
Todas essas referências se fazem necessárias
para demonstrar o quanto é complexo o
fenômeno astrológico e que qualquer opinião
emitida a seu respeito exige, do opinante,
um conhecimento mais aprofundado sobre
o assunto que, como se vê, faria tremer
até os homens de grande envergadura intelectual;
homens que, felizmente, tem uma consciência
profunda daquilo que já foi conquistado
intelectualmente pelos seus antepassados
e que, por isso mesmo, não rompem drasticamente
com a própria tradição intelectual e tentam
manter, ao longo dos séculos, um diálogo
fecundo e proveitoso com estes. Diálogo
que, no entanto, quase se esgotou, visto
que desde a Renascença passa a ter direito
a voz aquele pensador que, imaginando-se
romper com o grilhão do passado, impõe
a sua tão criativa e nova visão do mundo,
estimulando a todos os livres-pensadores
que se seguiram a desenvolver também a
própria opinião pessoal, tornando o mundo
do saber e do conhecimento uma arena onde
vence aquele que é mais genioso e mais
contestador, que se coloca na posição
de traduzir o pensamento da classe a que
pertence - construindo, assim, um saber
completamente desconectado, parcial e
partidário, levando-o a se esquecer de
que sua verdadeira função como intelectual
é a de prover uma luz e um entendimento
que abarque a totalidade dos fatos e dos
acontecimentos que vem se sucedendo,
tal como os verdadeiros homens do saber
tentam fazer.
o debate astrológico e a Astrocaracterologia
Em qualquer livro de astrologia encontra-se
uma série de referências com relação a
certas personalidades célebres que a estimavam
e consideravam - como também de outras
que a detestavam e desconsideravam. Aliás,
todo o debate em torno do tema astrológico
tem sido extremamente retórico e partidário,
onde:
1.
de um lado, se coloca o astrólogo
como um guru que, por deter um conhecimento
que se diz secreto, acaba
alegando que não há como explicá-lo,
deixando a astrologia sem qualquer
estudo e sem qualquer fundamentação
rigorosa - o que justamente a torna
indigna de respeito;
2. de outro lado, se coloca
o “homem do saber” que, mesmo sem
ter estudado o suficiente qualquer
referência sobre o assunto, se dá
o direito de julgá-lo, evitando ao
mesmo tempo se envolver com a questão
porque isto mancharia a sua reputação
intelectual, deixando então a astrologia
num completo abandono quando, curiosamente,
é o mais apto a estudá-lo.
Por
isso, enquanto não sairmos do debate astrológico
que ainda se mantém no nível retórico
e não empreendermos uma discussão lógica
e analítica, jamais daremos um passo
com relação ao que se concebe como o “conhecimento
da astrologia”. Afinal, este parece ter
sido também o trajeto e a saga que a medicina
[13] e a psicologia empreenderam, visto
que, nos seus primórdios, o senso comum
e a opinião geral sobre ambas era a pior
possível, sendo vistas com muito preconceito,
como uma transgressão, ou como atividades
peculiares ao diabo e a bruxos.
Nelson Rodrigues estava certo: “a unanimidade
é burra”. Afinal, a unanimidade que devemos
procurar, no conhecimento, não é aquela
pautada na opinião majoritária e sim,
naquele consenso a que se chega quando
se avalia uma questão de maneira analítica,
procurando entrever a sua coerência interna,
a sua unidade lógica, formando um
conhecimento e uma ciência que sejam dignos
do título que carregam.
A proposta da Astrocaracterologia é exatamente
esta, tal como se percebe nas 123 páginas
elucidativas do livro O Caráter como
Forma Pura da Personalidade, escrito
em 1992 pelo filósofo Olavo de Carvalho
que, a meu ver, deu um passo decisivo
com relação ao entendimento do que seja
astrologia, tornando-se leitura obrigatória
para quem deseja se inteirar sobre o assunto.
A Astrocaracterologia pretende, assim,
organizar as especulações astrológicas
existentes e desenvolver um método de
investigação que lhe seja adequado, considerando
sobretudo o resultado das estatísticas
de Michel Gauquelin e os estudos, feitos
na Idade Média, sobre as faculdades cognitivas
e sua relação com os astros celestes,
demonstrando-nos que o mapa astrológico
é, em suma, o mapeamento cognitivo
do sujeito, daquilo que espontaneamente
ele presta ou não a atenção, revelando
a maneira única e particular com que ele
percebe, sente e lida com o mundo ao seu
redor.
Neste pequeno e grandioso livro, a Astrocaracterologia
fica definida como “o estudo das relações
estruturais e funcionais entre o caráter
individual humano e as posições dos astros
no céu no instante do nascimento”. Ela
afirma a validade da hipótese astrológica
segundo a qual estas relações existem
objetivamente, mas nega a pretensão astrológica
de elaborar – com base exclusivamente
no horóscopo de nascimento – um perfil
de personalidade integral. O fundamento
desta negação é que os traços de caráter
que podem ser discernidos num horóscopo
de nascimento representam apenas uma fração
modesta do sistema complexo denominado
personalidade. Dentro dos limites
desta fração, no entanto, o horóscopo
pode oferecer informações psicológicas
efetivas e objetivamente válidas, não
deixando, entretanto, de revelar o seu
peso e a sua importância dentro deste
complexo sistema.
Descobrir e descrever meticulosamente
estes limites para, com fundamento neles,
erguer uma técnica interpretativa e descritiva
eficiente, capaz de obter resultados que
se tornam indiscutíveis e verificáveis
ao serem cruzados com pesquisas biográficas
– eis o intuito da Astrocaracterologia.
Ela estreita o território da astrologia
para melhor fundar nele o domínio de uma
ciência astrológica de pleno direito.
Desde já, como havia dito, um estudo indispensável,
não somente pela seriedade com que o seu
conteúdo é tratado mas porque ele exige,
quase que simultaneamente, uma reeducação
da inteligência.
Edil Carvalho
NOTAS
(1) SOCIOLOGIA DE MAX WEBER, Julien Freund
(2) DAS CATEGORIAS - ARISTÓTELES, Mário Ferreira dos Santos
(3) ECLIPSE DA RAZÃO, Max Horkheimer
(4) WERNER HEISENBERG - PÁGINAS DE REFLEXÃO E AUTO-RETRATO,A.M. Nunes dos Santos
(5) O QUE É A FENOMENOLOGIA?, de André Dartigues
(6) DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE, Gordon W. Allport
(7) DIAGNÓSTICO DO CARÁTER, Ludwig Klages
(8) CHAVES DA CARACTEROLOGIA, Roger Gaillat
(9) EM DEFESA DAS ASTROLOGIA, John Anthony West
(10) PSICOLOGIA DA ATIVIDADE SEGUNDO ALBERTO MAGNO, Padre Michaud- Quantin (tradução pessoal de Joel Nunes dos Santos)
(11) ALQUIMIA DA FELICIDADE PERFEITA, Mohieddin Ibn' Arabi
(12) ASTROLOGIA - COSMO E DESTINO, Siegfried Böhringer
(13) A ASSUSTADORA HISTÓRIA DA MEDICINA, Richard Gordon